Era domingo, Carlos saiu para passear e conhecer um pouco a terra. No regresso perdeu-se num labirinto habitacional, num bairro periférico daquela cidade. Tentando chegar ao ponto de táxi, passava várias vezes no mesmo caminho, apareceu três vezes num quintal onde realizava-se exéquias, ficou envergonhado, pois parecia um maluco ou um malfeitor que estava a estudar bem o bairro para fazer um assalto mais tarde. Convencido da dificuldade, Carlos foi ter com uma senhora que estava a "kupekula" milho para fazer canjica, e questionou-lhe a saída. A senhora, admirada com a pergunta, sorriu pensando numa possível brincadeira da parte dele. Carlos insistiu e fez-lhe perceber que era visita, estava a tentar sair daquele sítio há muito tempo, que até estava cansado, pois passou ali varias vezes. Foi assim que a senhora percebeu da verdadeira aflição do senhor, que não era nenhum demente como se cochichava lá, e indicou-lhe o caminho a seguir. Carlos saiu a correr, que não respondeu bem a saudação de um conterra que entrava no quintal do velório. Na rua sinalizou a um "kupapata", e depois ao outro, visto que havia mais alguém que deu sinal. Os dois pararam para ele, mas subiu ao mais próximo - o segundo, deixando o primeiro chateado. Questionou ao motoqueiro a falta de capacete, e se não era um "piloto". Na verdade, Carlos não se importou com o capacete, só queria um mototaxista que lhe levasse, devagar e bem, para o bairro onde estava hospedado.
©️ Mwéene-Ndaka 🇦🇴
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